terça-feira, 27 de fevereiro de 2007

Desgraçado!!!

Como controlar o que se passa dentro de nós?
Como conseguir dar conta de tudo o que atropela compulsivamente neste turbilhão de sentimentos?
Não imaginas como é bom ver-te. Sentir-te perto.
Ouvir as tuas histórias. Construir mais um bocadinho de ti.
Poder ver com os meus olhos os teus. Sentir a tua mão a não querer largar a minha.
Beber as tuas palavras, uma a uma, lentamente.
Deixas-me assim, completamente aparvalhada. Com um sorriso pateta, com um brilho incompreensível nos olhos.
Alimentas-me a alma, disparas-me o coração. Deixas-me numa estado de euforia incontrolável. Uma histeria interior que se apodera de mim sempre que o telefone toca e do outro lado, te oiço com essa voz toda dengosa. "Olá, estás bem?".
Perco-me ma promessa "depois ligo-te" mesmo sabendo que o teu depois não tem lugar no tempo.
Conheço o teu jogo. Sei exactamente como teces essa tua teia mas ainda assim deixo envolver-me. Deixo levar-me. Deixo-me ir exactamente por onde me queres levar. Ligas. Não ligas. Sabes que hei-de ligar. Sabes com o que contas e fazes questão que eu te lembre isso. Adoras sentir-te assim. Irresistível.

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2007

Zeca, ainda e sempre vivo!

Tinha decidido que hoje não ia falar do Zeca. E não o vou fazer!
No entanto, faz hoje 20 anos que morreu José Afonso e os apontamentos jornalísticos sobre mais que o músico, a personalidade que Zeca é (não, não me enganei no tempo verbal) multiplicam-se pelas televisões, rádios, jornais e afins.
Já perdi a conta das vezes que ouvi dizer: "Celebramos hoje 20 anos sobre a morte de José Afonso".

Pois eu não celebro hoje José Afonso que para mim é e será sempre simplesmente Zeca. O Zeca que me embala e educa desde menina e que ainda hoje me canta e tanto me ensina.
Eu hoje não celebro os 20 anos sobre a morte de José Afonso porque o celebro Vivo diariamente quanto o oiço ou dou por mim as voltas com as suas palavras.

Entristece-me profundamente este esquecimento em que Portugal deixa cair os seus Hérois e que com um sentimento de completa hipocrisia os lembra em dia e hora marcada como uma mera obrigação de agenda numa qualquer data redonda.

Assusta-me o desconhecimento cada vez mais generalizado sobre quem foi Zeca e tantos outros que são fundamentais na cultura do nosso país e que fazem parte da nossa identidade colectiva. Muitos deles ainda vivos mas que serão lembrados com honras de notícia apenas quando morrerem na tristeza do esquecimento e abandono.

Foram as pequeníssimas notas sobre José Afonso que me fizeram escrever este comentário, mas poderiam ter sido sobre um sem fim de outras pessoas mortas pela doença, idade e pior que tudo, pelo esquecimento e abandono a que foram remetidos como por exemplo o Mestre Paredes.

"Fui andarilho... já fui morto e ainda vivo" (Zeca Afonso - Cantares de Andarilho)

domingo, 11 de fevereiro de 2007

Abstenção, NÃO!

Deitei-me, já hoje, às 5h da manhã. Ás 7h15 o despertador já tocava para me tirar do conforto. Mais de 3h, 7€ e alguns quilómetros depois fui exercer o meu direito e dever cívico e social de votar.
Desde o início que sempre me manifestei contra a realização deste referendo mas não poderia deixar de ir votar.
Infelizmente, as projecções indicam que, mais uma vez, a grande fatia dos recenseados optou por não se manifestar.
Não consigo entender.
Se não somos consultados, é porque ninguém nos ouve. Quando somos chamados às mesas de voto, mais de metade da população fica em casa, vai passear, fica a ver chover, inventa tudo e mais alguma coisa para fazer mas não consegue despender de nem cinco minutos para dar o seu voto e assim mostrar interesse pelo desenvolvimento e pelo estado do país em que vive.
Há quem me diga que não vota porque não acredita no que lhe é proposto por nenhuma das partes em campanha. É um facto e cada vez mais comum, muitas vezes também eu não me identifico em absoluto (a ponto de lhes dar o meu voto) com nenhuma das partes, no entanto, não admito não manifestar a minha opinião ou descontentamento com as hipóteses que me são apresentadas.
Votar em branco é mostrar que há um descontentamento com o panorama e as soluções apresentadas havendo um interesse real pelo que se passa, mostrando que se está atento e que não se deixa passar em branco o que muita vezes nos querem impingir.
Faço questão de votar quer seja num partido, em pessoas, em convicções, em respostas directas, em branco ou no que for mas voto Sempre. Até porque não abdico de poder posteriormente concordar ou discordar do que é feito (ou deixado por fazer) e exigir que aconteça a evolução que entendo adequada para o país que tem as potencialidades que acredito que Portugal tem. Quem não vota, perde todo o direito que tem de exigir condições, mudanças ou sequer explicações do que se passa.
Sou Ovelha Negra, a mim não me vão arrastar no meio da carneirada mole que tem os cornos enfiados na palha e se deixa levar por pastores que nem conhece.
Votar é agir. Votar é fazer a diferença.

Site Meter