sexta-feira, 23 de fevereiro de 2007

Zeca, ainda e sempre vivo!

Tinha decidido que hoje não ia falar do Zeca. E não o vou fazer!
No entanto, faz hoje 20 anos que morreu José Afonso e os apontamentos jornalísticos sobre mais que o músico, a personalidade que Zeca é (não, não me enganei no tempo verbal) multiplicam-se pelas televisões, rádios, jornais e afins.
Já perdi a conta das vezes que ouvi dizer: "Celebramos hoje 20 anos sobre a morte de José Afonso".

Pois eu não celebro hoje José Afonso que para mim é e será sempre simplesmente Zeca. O Zeca que me embala e educa desde menina e que ainda hoje me canta e tanto me ensina.
Eu hoje não celebro os 20 anos sobre a morte de José Afonso porque o celebro Vivo diariamente quanto o oiço ou dou por mim as voltas com as suas palavras.

Entristece-me profundamente este esquecimento em que Portugal deixa cair os seus Hérois e que com um sentimento de completa hipocrisia os lembra em dia e hora marcada como uma mera obrigação de agenda numa qualquer data redonda.

Assusta-me o desconhecimento cada vez mais generalizado sobre quem foi Zeca e tantos outros que são fundamentais na cultura do nosso país e que fazem parte da nossa identidade colectiva. Muitos deles ainda vivos mas que serão lembrados com honras de notícia apenas quando morrerem na tristeza do esquecimento e abandono.

Foram as pequeníssimas notas sobre José Afonso que me fizeram escrever este comentário, mas poderiam ter sido sobre um sem fim de outras pessoas mortas pela doença, idade e pior que tudo, pelo esquecimento e abandono a que foram remetidos como por exemplo o Mestre Paredes.

"Fui andarilho... já fui morto e ainda vivo" (Zeca Afonso - Cantares de Andarilho)

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