quarta-feira, 21 de novembro de 2007

Parabéns minha menina linda.

Não me conheces e, ainda que ingenuamente continue a acreditar que sim, o mais certo é nem saberes que existo. Mas existo. E tu continuas a existir em mim.
Não te vi crescer. Não te vi chorar. Não conheço os teus gostos nem o teu sorriso. Não conheço os sonhos que se escondem no brilho dos teus olhos.
O que te faz sorrir minha menina linda? O sol do fim de tarde? Ou preferes a lua e o calor da manhã?
A que hora gostas da praia? E de brincar na relva? Jogar à bola, saltar ao eixo, viver sonhos?
Roubaram-me tudo. Arrancaram-nos de uma vida que podiamos ter tido. Tiraram-te de mim. Sem pudor, sem remorsos. Sem pensar nem em ti nem em mim.
Lembro e relembro de forma tão presente que chega a doer a única vez que te vi. Foi preciso fugir uma e outra vez para, por um único momento, te ter comigo ainda que por tão poucas horas. Dolorosamente poucas. Não é assim que se acaba uma vida.
Talvez um dia nos voltemos a encontrar. Talvez um dia te possa conhecer. Talvez um dia... e vamos poder correr, saltar, rir às gargalhadas a tarde toda e ir passear sem medo de voltar. Talvez um dia volte a sentir o cheiro do peixe no forno. Talvez um dia me possas mostrar o mundo que vês por esses olhos que não conheço. Talvez...Talvez um dia te possa voltar a dar um beijo de boa noite e ficar a velar o teu sono sereno e despreocupado de quem descobre o mundo a cada dia que nasce como fiz naquela noite de ontem, há já tanto tempo. Demasiado tempo.
Talvez um dia...
Parabéns minha menina linda.

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